domingo, 5 de janeiro de 2014

APAGANDO MEMÓRIAS: 3022

O pingo da chuva no telhado
As lembranças que a casa da infância me traziam
Hoje não tão doces e infantes
O gosto amargo da lembrança, de rum e coma
De me entregar crua na mata
ao amor lancinante que imaginei existir

11 de Setembro, mais do que torres derrubadas soavam ruir
No meio da montanha outrora sagrada, corrompida em pedra
Com nosso amargo deleite, e com as falsas palavras que proferias
Em nossos intermináveis e lascivos dias, eu silenciosamente sofria

Eu interminávelmente me despia, até ficar em sangue e carne, fria
Não há mais peças para retirar, nem o pó há de sobrar
Nem amor, nem dor, nem lembrança
Um sorrir triste me cança, sua mentira que lança,
Destino perdido em balança,
Traíra engrenagem de dias perdidos que agora descança

O meu peito doído, o meu sangue caído
Teu suor perdido, teu sonho morto em sangue
A semente morta pela violência esquecida e estranha
A morte do amor pela entranha, perdida sem se quer teu conhecimento

Jamais poderá ter lamento, pelas lágrimas do que só eu sei
Jamais saberá que em tuas palavras vis perecerei
Matando em mentiras, sem motivo ou razão todo o carinho que tinha
Não sinto, não grito, não olharei novamente o olhar perdido
que em mentiras, nada além de ilusão a mim foi dito

E tal como a tua máscara sem cair, onde nada houvera acontecido
Assim como em teu nada, eterno fingir, a mesma máscara visto
E tu jamais saberás se ao menos houvera realmente me conhecido