domingo, 4 de dezembro de 2016

Sátiro do sol e cachos dourados, que vai e vem e responde o meu adeus, eu cansada, voltando
procissando pra montanha revelo meu segredo desejando passear com seu galope a mata, seu segredo violado tendo aquele meu medo de você descobrir sei lá quantas poesias rabisquei te observando silenciosa como um jogo de cama de gato mental sem você nem saber o quanto o som atravessava minhas entranhas pelo jardim. A unirio tem esse poder escroto de ser o pior e o melhor lugar do mundo na mesma sentença elitista, com o mesmo cheiro e cores explodindo pela sua música que parece mais toda uma cascata de fogo. Já nem sei o que estou sentindo, talvez medo de nem saber quem você é, se ser geminiano é um segredo do ar que eu não compreendi ou porque se eu sei algo de mim é que tenho uma habilidade inconfundível de dar péssimas primeiras impressões falando alguma estupidez sem querer ou engolindo a minha voz. Pois que eu cale seus lábios antes de partir com calor ou apenas cante uma cantiga de amigo, pois aceitaria ser sua amiga mulher se pudesse te ouvir mais uma vez antes de ir na montanha, isso nem é poesia nem texto, mas um fluxo contínuo e insone de tudo aquilo que ainda não tive coragem de dizer, mas algo sai antes de eu partir, porque...

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Foda-se, deixa estar

Foda-se, deixe estar.
Acho até que gosto desse mistério
Desse envolvimento livre e som
Tom e vontade de compor calado
Desse calor despertado. Do silêncio

A noite fria de Junho e meias
Aquecendo as canelas roçando
Piras inesquecíveis de fogueiras
Cantarolar e tocar já é bom e pronto

Verdade é o gosto mistério das letras
Tão carregadas desses ensaios sofás
Esquentando seus dedos e canelas
Cigarros, cafés e pontas secretas.
Fodas pela sala de estar.

(13/06/2016)

Por quem?

Por quem?
7 de Março de 2016
Cantamos cantiga
eu e muitas outras
Por nós as invisíveis
contra o aborto e guerra
que mata sim as pobres
Refugiam-se pela terra
Condenada era errante
Que condena o pé andante
Calejado pela guerra otária
Declarada pela burguesia
Dita proletária e feminista
Seu rolê ativista é protagonista
Que é branco e ‘transformador’
Não vai até meu bairro opressor
Nem passa o chapéu que preciso
Que não anda de trem nem riso
Mas canta a revolução dor de ciso
Na praça coitada São Salvador.
(Novembro, 2016)

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

CORTAM AS PERNAS DO POVO

Tudo é nada de novo
Silêncio caindo poço
Caos pós fogo e o resto
Dos braços correntes
Caminhando pela gente
Sem lutar o povo
Engole o mesmo osso
Sem o caminhar próprio
da nossa mente

COZINHA PSICODÉLICA JANIS MARIA JOPLIN ARÊAS E CIA

Aquela vibe transcendental meio campo de santana grama e lama
depois daquela noite passada de fogueira txai índio ashinikando a cura
e são joão xangô menino no metrô e na trovoada tocando os doces bárbaros
adocicando os vagões lotados de corações e pessoas

Virando a noite e pela manhã de luz, luar e grama
maconha e campo de santana abrindo a chama
Janis Joplin cantarolando Maria cozinha e amor

Eu imaginava se o woodstock era tão diferente
E a tropicália assim tão doce ou tão distante
Lembrando como era aquele tempo, do golpe 2016
Imaginava a gente ali na escola ocupada

1 mês ou uns quarenta anos atrás
ouvindo ali piscianamente aquela voz
sit there, count on your little fingers
my unhappy little girl blue

Naquele junho velho e cinza
Frio Rio de Janeiro diferente
dos raios quentes do início solar
Que Oxalá vem transformar

Mas mesmo assim de lá pra cá
o que uma garota azul triste cantou
ninguém lutando ainda transformou
Peço que o sol venha transmutar

BICHA, BICHO, EU BIXA NA CIDADE

Foram dias livres, dias leves, onde a forma das coisas naturalmente
aparecia ali desistente, sendo irônico ouvir a problematização teórica
da formação da burguesia, como um discurso que eu bem devia dominar

Não domino pela mesma ausência instável de moedas que financiam discurso
Sendo a rua mangueante meu ônibus e motor, mambembe ou historiador
passo apressada e levando luz, passo o corredor, mas devendo a conta de luz

Queria era largar o motor sociedade e ser bicho ali outra vez
onde sem precisar de Marx ou Thoureau o capital não existiria mais
voltando aquela velha paz de uma comida que brota assim do chão

Sol e Fada Mulher

Tua fragilidade me assusta
me da uma vontade calma
de abraçar e esquecer a enguia
que sem cor me engolia
para lavar o rancor 
do lado esquerdo da alma


(09/05/2016 - ocupação)

PULSOS

Aqueles olhos avulsos
Falando pelo espaço
Explicam o impulso
Silenciosos cacos
Cortados dentro

Do fio dos pulsos

Concha

Carangueijo andando para trás
Vê se desfaz essa couraça
Não se protege não
Não quero te possuir
Só quero sorrir
Embalada no seu violão

(V.N)

Mel

Você abriu uma cascata de arte
Dentro de meu íntimo céu e parte
Roubando o marte sorriso e mel
Tão forte quanto a picada da abelha
Florescendo um poema que você esqueceu

(V.N)

MULHER DIABO

MULHER DIABO
Sou mulher diabo
Sujeira de rato
Desejo infinito
Jogado no ralo
Porque te embalo
De medo e saudade
Pois pela liberdade
Não me calo.

[LIBRA]

[LIBRA]
Nossas balanças se cruzaram
Equilíbrio místico, interna criança
Idosas bruxas, corvos e corujas
Tempo além da lembrança.

(Para Yohanna Guimarães)

A Lua, as Estrelas e o Mar

A Lua, as Estrelas e o Mar
Os portais helênicos dos arcos profanos
Do telles às barcas são portas de encontro
Vejo a moça Lua brilha luar, vem Luna e Marina
Aquela menina capricorniana, feita de terra e mar

As estrelas de meu caminho, mundano sozinho a negar
Convites helênicos de suas poesias, desenhos e mancias
A me embriagar na flor da ambrosia, magias do ar

Meu cantarolar, de poucos instantes, mulheres bacantes
A admirar um mar feminista, eu malabarista, fugindo dos homens
Por tempo e salivas, beijando as feridas, tocando o seu mar

(Para Marina do Mar, pela noite em que mergulhamos sem medo)

FESTEJOS DE BACO

FESTEJOS DE BACO
As flores astrais nos ouvidos
A caminho dos festejos e ritos
Devotos de Baco, secos e molhadas
Corações de fogo, de saias e miçangas
Proteções profanas dos filhos do teatro
Sozinha às onze horas, por ruas perigosas
Ouço a voz melodiosa e amarela das ciganas
Que por vielas humanas traz carona e caravanas
Noite das bacantes e profanas, todas as filhas devotas

(Festa da ETET Martins Penna, Abril de 2016)

Dançarina do Fogo


Lembro de quando te desenhava
Pelo conto lápis do canto do olho
Caíam aqueles fios densos e negros
Nos ombros desenhavam seu fogo

Chama e guerra de seus olhos
Amendoados como um oriente
Seu coração é consciente
Percebendo os laços de fogo

(Abril de 2016, para Mika Makino)

27 de Abril

27 de Abril,
Seu sol brilha junto ao dela em festa
O mesmo dia que os dois taurinos egoístas
Destruíam os ensinos da Rainha da Floresta
Pois o medo dos caprinos joga o ouro pelos tolos
A moça de patas de bode, flutuante fada ao lago
Loiros cachos são suas madeixas de sol e raio matutino
Não será o vermelho sangrar do pô-do-sol ou a noite
Jamais tocará a madrugada, sem ouvir o mal da fada
pois a luz que ilumina e não vê a sombra que a realça
 perde o valor da cura sem saber o fim da estrada farta
O Filho de Pan, menino de barro e bardo, filho de Gaia
Pelas entranhas instinto de bodes as suas cegas patas
Não sabem tão pouco mensurar suas profundas águas
As mesmas águas que ascenção aos céus traria sem mágoas
Se não fossem as ilusões das patas correndo ao abismo
Que por cinismo levam aos passos tortos de teu egoísmo.


(Escrevi com dores que lavei no mar, mas dedico a todo meu amor
por esses seres mágicos de touro e terra. 
Para Maia mãe de Hermes e para o filho de Gaia, Gaius ou C.G.)


27/04/2016

Terras Novas, Águas Velhas, Terceiro de Vênus

Terras Novas, Águas Velhas, Terceiro de Vênus
Carangueijo lânguido, leão de águas como as dela
Seus incensos queimam a troca de nós oceanos
Sexo aquático que escondíamos pelos anos
Pois seu olhar assustava minha sutil esfera

Como a maré escorpiana, foges o menino luar
Pois tanto medo de me machucar teme iludir
eu por aí a me divertir sem medo de me deleitar.

(Abril de 2016, V.N)

EVA MAÇÃ

Eva Maçã
Lembro-me também de você, mulher e corvo
Feitiçaria cigana, libertina moderna e profana
Lembrando tantas vidas que as ancas ainda doem
Hoje sois como uma irmã, de alma e de sombra
Banhando nas águas da cachoeira e montanha
Teu corpo a meu lado se retraindo na música
Querida pela minha alma, libriana livre e libertina
Que nos sonhos me invade a ferida de desejar-te tanto
Sei que lá nos vemos, sei que esqueceremos
do que em outros tempos fomos pela velha sina
Mas em nenhum tempo, triângulo de ervas a dentro
Sem medo do agora e do aqui, sei que por inteiro
Por nenhuma vida esqueci seu gosto e seu cheiro
Pois quando cigana, galopei anos como teu cavaleiro
Quando libertina fui teu cortesão, amor e escudeiro
E quando feiticeira te levei pela mão, pelos moinhos
Levando-te  por todos os caminhos do povo pequeno
Quase provaste aquele veneno, que mel para mim
Acorrenta-te sem fim àquele meu mundo de elementos
Lembro teus olhos negros mirando o abismo da realidade
Sinto e vejo estas memórias invisíveis
que aqui seguem indizíveis como irmã
Pois sei que a sua lua terra é um pouco fria
E fujo pela ventania da sua eva maçã.

(Para Yohahnna Guimarães, que é bruxa cigana e um amor de outros tempos)

Centauro Cartomante

Que todos os seres místicos que cruzaram meu caminho estejam escritos
Lembro então do segundo fogo de vênus, centauro tocando um violino
Para que eu chore as canções velando a morte de Bowie pelos sete ventos
Cantigas medievais e lamentos de poucos dias paqueteando seus ritos. (D.S)


Sátiro do Sol


Pergunto-me por que esquinas mais do universo nos esbarraremos?
Correndo com nossos papeis interpretando aquela cena do acaso
Que é encontrar alguém. Mesmo quieto e absorto no magnetismo.
Real que ali deixado, nunca deixo de vibrar neste seu musical silêncio
Que mesmo quando calados, aquele milissegundos de troca de olhar
Queima quando prontamente em pontas pelo jardim chega a me salvar
Tocando o universo repentino e sem fim de provar o som de seus dedos

(Para João Brasileiro, que nunca me deixou seguir adiante no desejo louco que sua música me causa recontando Elomar e fazendo magia pelos jardins musicais da minha alma).

CAOSESFERA


Demônios que moram na esquina
Do canto de meu olho e fogem
Quando antecipo seus passos

De quina pintada e fotografia.

Ode Saudosa à Costa do Mar

Solteira e livre, sozinha a lua dançando nua no Rio de Janeiro
Mapa gostoso e cruel de pessoas intensas que chegam e partem
Barca portal na praça número XV para Niterói além mar das bruxas
Envolvida pelo nó complexo e simples, aprisionada pela liberdade
A bruxa de câncer e cartas, beijava meus lábios com calma profunda
A intensidade das águas, o leão e seu fogo dança labaredas e inunda
Suas silhuetas de gestos e sorrisos, saias de cigana, altares e livros
Fizeram-me esquecer do perigo, largando meu vestido, azul para voltar
Naquele universo escondido de seu quarto sereno e seus olhos de mar
Mas sei que a cigana que é couraça sua deseja apenas uma aventura
E há muitas constelações para te mostrar ainda assim pela loucura
Que é a lucidez e magia de estar ao seu lado, com ou sem a pele crua

(Para N.C)

Madeixas de espuma

Madeixas de espuma
A fome fala grave como uma voz dolorosa
Que grita intensa e consome toda a pólvora
Apagando o fogo das forças sem alimento, a alma chora
Mudo-me para dentro de um novo mergulho sem medo da chegada hora
De morrer no intento de sonhar no palco sem medo da morte que é divina porta~
Apaixono-me pelas esquinas, olhares que se perdem
Suavizam doces águas profundas lavando leve
O sal de Netuno, sêmen e espuma,
 fertilizada no útero do mar

madeixa de espuma

A Sepente, O Cavalo, A Coruja e o Corvo

A Sepente, O Cavalo, A Coruja e o Corvo
A Mulher que ouvia Joni Mitchell e Lisa Thiel por toda a noite a meu lado
Visitando seu lar secreto, canceriana doce e singela, guerreira e donzela
Sua magia é um doce que tem gosto umedecido e terno feminino de luar

Queria sim te ninar como uma criança, recitando cânticos, movendo danças
Ouvindo o mel água de nossas vozes doces vibrando a força de outras eras
Avançando nossas guerras para as Deusas e para as feras como boas devotas

Ah se os moços de câncer fossem como essas doces e selvagens filhas da lua
Mas a água é um mistério que assim pela fruta pele caminha e se transmuta
No fundo azul marinho de estrelas e vinhos, dos nossos antigos céus interiores

Queria provar-te o céu da boca, te levar ao céu das moças bebendo seu néctar
Mas meu maior desgosto é que ficamos nós duas nunca nuas e atrás de moços
Então renega os peixes pelo aquariano, sem cair o pano das ciganas a galopar

Queria ouvi-la cantar, chamo seu tambor, venusiana sexta que vem amanhã
Queria vê-la sorrir, aconchegar a maçã do rosto, provar desse gosto outra vez
Talvez até sentir que nosso corpo se permite o mergulho sem medo de cair.

(N.C)

Cachoeira, Argila e Mel

Cachoeira, Argila e Mel


Água de Cachoeira pelo meu corpo nu
Invisível Separação entre eu e a montanha
O barro e o mel sobre a pela nas águas de Oxum
O prazer sobre água gelada cortante que é a vida
Sátiros de fogo guiam pelas rotas da floresta
Vejo um filho de áries com um gavião sobre os ombros
Seus olhos fogo são um poço de perigo que conheço bem
Enquanto eu abdicaria de todos os sátiros se ela quisesse
Mas sei que a guerreira que cavalga a meu lado conhece
O olhar aventureiro de alma cigana que serpenteia os galopes
Sei que sem permanência são as intensidades dos poucos dias
Que junto dela troco as cartas e as dores, os beijos e as flores
Os amores queimando sem medo no fogo do altar. 



 (31/03/2016 - N.C)

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

memento

não seja oprimida
não seja resumida
não seja magoada
não seja rivalizada
e se derem ferroada
solte mel e amor
se liberte da dor

seja sempre ouvida
seja sempre bonita
da cabeça aos pés
quando você quiser
como você é

E se alguém disser
que você é louca
mal da sua roupa
e que não te ouça

Saia logo de roubada
se encha de liberdade
de amor e felicidade
caminhando sua estrada

não


Tive uma crise de amigdalite e fraqueza lendo a pec241
Acho que a garganta se inflamou das verdades não ditas
Acho que conseguiram tremer minhas estruturas e certezas
Talvez o medo tenha se instaurado nas bases de meu chão

Queria que meu corpo acompanhasse a minha mente
Queria me unir nas ruas lutando firme por nossa resistência
Essa perseguição demente da população desfavorecida, mas

A cada dia é um rango a menos, são cassetetes cuspindo violência.
A cada dia é um aluguel atrasado, uma luz cortada e lugar nenhum
Uma nova mudança, cortina de gás lacrimogênio, nem mais comida.
Tive uma crise de amigdalite na crise da garganta do povo, não dita
E a cada dia tem mais crise, mais dívida, mais cansaço, mais doença
mais contas para pagar, que não às dívidas para com a consciência.

Tive medo e uma crise dentro da crise das desistências, torci os dentes
Milhões de medos, de temer, querer fugir e a tremer suando doente
Decidi por não desistir, mas se tudo ruir rogo apenas por remédios de
Resistência

quarta-feira, 15 de junho de 2016

Matheus,

Fica aquele livro do Huizinga
que eu nunca terminei de ler
que ia me ajudar a resolver
todo esse caos conhecimento
revólver pólvora acadêmico
tentando saber e sobreviver
Ali entre os corredores
censurávamos nossos olhares
Ali entre os corredores
fumávamos um cigarro
ou cigarros.
Sempre te observava muito chapada
e sempre censurava minhas vontades
talvez as suas
Eu sempre sorria de lado
fumando calada sem saber
sentindo uma conexão esquisita
que eu censurava pelo medo
Daqueles corredores.
Assim eu me impedia de viver
qualquer romance e manter
o pão de cada dia e a cabeça no lugar
E agora eu olho aquele livro
todo empoeirado do Huizinga
sabendo que você morreu
e que não vamos viajar
nem fumar um no jardim
ou mesmo trocar uma ideia
fumar um cigarro
realizar no trago
aquele beijo que talvez
aqueles mesmos corredores
sempre censuravam
talvez pelo medo de ferir alguém
ou me ferir.
Agora só fica o medo de nada
porque enquanto eu sumia
enfiada plenamente no teatro
eu me afogava e desabafava
no seu cigarro pela última vez.
E pela última vez conversamos
sem eu saber te contando planos
todo aquele caos político rodando
E todos aqueles panos e papos
e coisas que você me ensinou
em poucas salas, falas
naqueles mesmos corredores
que criavam barreira e caos
dentro de mim
Não serão mais
do que aquele outono
medieval e triste
no canto da estante.
Não poderá ser mais
do que aquele nosso
último cigarro.
Aquele livro que você emprestou
Para eu ler um capítulo sobre morte
que eu talvez não consiga nunca mais ler.

quarta-feira, 4 de maio de 2016

Você é um mistério de verdades estranhas que me dá muito medo
e já estou tão cansada que provavelmente só saio correndo cantando
de soslaio, porque a música vale mais que o meu coração violento.
Atores de teatro são os seres mais assustadores, assim tão cheios
de facetas como todas essas minhas faces. Correndo pela veia sangue.
São mistérios assustadores que perpassam os seus dedos nos meus
fios de cabelo, são tantas coisas que me enchem de medo olhando
o mar nervoso como uma criança da montanha.
Acho que senti suas pernas enroscadas tantas vezes essa manhã que
elas continuam marcadas nas canelas. Acho que estou assustada, pois
sei que nada disso deveria estar acontecendo dentro de mim.
Quero correr de tudo que você me causa, só quero sentir o seu cheiro
de madrugada, me chamando de vez em quando para matar o desespero
com música, desejo e fumaça. Santa Maria vai unindo em cada esquina
esse nosso desejo violento, tenho medo do que suas águas me causam
por dentro, mas essa inquietação artística que dilacera o meu peito faz
valer qualquer marca ou sofrimento. Deixa passar então toda essa água,
deixa a menina descer sangue, florescendo mulher aqui dentro.


Filtro dos Sonhos

esse teu malandro de olho tampado
esse sorriso de lado me dilacera
Arrancando-me de mim com sede
sem tempo de tirar as roupas quando saciado

Era bicho-fera da mata, mas feito de água
cantando nas folhas para os Deuses mantras
O verde da ahyuasca brilhou em sua testa
eu aqui pensando quem sou eu nessa festa

As vezes odeio esses encontros
com essas almas que já conheço
o que sinto é tão inexplicado
que não sei se vale o preço

então prefiro só
te dar.
um filtro dos sonhos



Não é poesia

As vezes sinto
todo aquele amor
mas apenas estou
chapada demais para escrever
essa poesia louca
risos

Amigos que sinto falta
As vezes me pergunto
se você disse que não falaria
mais comigo porque se não
se mataria

As vezes me pergunto se você
estava lá quando eu de fato
tentei me tacar de uma janela

Nada faz sentido e eu só contimuo
aqui dopada ouvindo essa cantora
que nunca vou poder te mostrar
mesmo sabendo que é a sua cara

Não podendo ser sua amiga de longe
porque você é um cara, um macho
que por achar que me ama por uma foda
Diz que não podemos ser amigos porque
você me ama tanto que não estar comigo
faz você querer se matar

Isso não é uma poesia
mas foda-se, eu precisava dizer isso
Porque não sei se você de fato está morrendo

Porque você me ama
mas quer morrer se
continuar sendo meu amigo
Por isso não nos falamos
Mesmo você sendo meu
melhor amigo
é uma grande prisão

O que é amor sem liberdade
acorrentada a ser o sexo menor
marcada pela boca de um cara
empurrando minha cabeça
com a mão
Quero mais que você suma
pois nesses anos eu fui sua amiga
mais vezes do que eu pude ser
para maior parte das pessoas
Quero que você suma
porque se seu amor se resume
a ser a pessoa que está entre
as minhas pernas
só quero distância
mas você podia ter sido meu amigo
ao invés de afirmar que vai se matar
se continuar meu amigo
mesmo sendo meu melhor amigo.

terça-feira, 3 de maio de 2016

A minha autocrítica tem
feito calos nos meus dedos
e um vazio nos meus sonhos
fez um buraco no céu

Cortam a passagem
cortam minhas asas almas
esses estalos tecnológicos
de toques de celular
cortam minhas ideias

O que sobra do gosto
da rua esparramada
pela calçada gosto
de falta e secura na
garganta

Cortam as falas
lotam as ruas os
cavalos obscuros
metropolitanos de
cacetetes cravados

Estalam suas trotadas
pela estrada dos estalos
sonhos das pessoas que
ainda ocupadas seguem
o pão circo jantar
De ponto a ponto te encontro
de ponta a ponta um sorriso
não sei se disso tanto preciso
mas nesse riso aceito um chá

terça-feira, 26 de abril de 2016

O Carangueijo e os Peixes


Essa tua música tão brasileira
tocando na cabeceira de Maria da Graça
Jogou-me na tua graça de menino água

Eu que brincando na ribanceira
de me lançar na tua fumaça
ao amanhecer no caminho da praça
penso na noite descendo a ladeira

Menina de água e de mágoa
desapega do balanço da cadeira
que esse menino é mais solto
que as folhas que voam na fumaça

Lembra do entrelaço de águas
de línguas cruzadas na barreira
que fincado no encontro
fez da lembrança cachoeira

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

VADIA LOUCA

Vadia louca
cantou na rua
dançou na lua
pois liberdade pouca
não censura minha pele
nua.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Mala Perdida


Um velho instrumento
sem dono nem alça
frangalhos costurados
couro velho e lágrima

Era para ser uma pessoa
mas foi feita mala
jogada de lado a lado
furada era sua canoa

Afundava assim por rios incertos
Sem extintor para conter o incêndio
fugaz de um coração sem rumo
Mochila nos ombros descobertos

Não tinha passagem além de ida
Não tinha local de largada
Era para ser uma pessoa
Foi tornada uma mala perdida