segunda-feira, 14 de novembro de 2016

EVA MAÇÃ

Eva Maçã
Lembro-me também de você, mulher e corvo
Feitiçaria cigana, libertina moderna e profana
Lembrando tantas vidas que as ancas ainda doem
Hoje sois como uma irmã, de alma e de sombra
Banhando nas águas da cachoeira e montanha
Teu corpo a meu lado se retraindo na música
Querida pela minha alma, libriana livre e libertina
Que nos sonhos me invade a ferida de desejar-te tanto
Sei que lá nos vemos, sei que esqueceremos
do que em outros tempos fomos pela velha sina
Mas em nenhum tempo, triângulo de ervas a dentro
Sem medo do agora e do aqui, sei que por inteiro
Por nenhuma vida esqueci seu gosto e seu cheiro
Pois quando cigana, galopei anos como teu cavaleiro
Quando libertina fui teu cortesão, amor e escudeiro
E quando feiticeira te levei pela mão, pelos moinhos
Levando-te  por todos os caminhos do povo pequeno
Quase provaste aquele veneno, que mel para mim
Acorrenta-te sem fim àquele meu mundo de elementos
Lembro teus olhos negros mirando o abismo da realidade
Sinto e vejo estas memórias invisíveis
que aqui seguem indizíveis como irmã
Pois sei que a sua lua terra é um pouco fria
E fujo pela ventania da sua eva maçã.

(Para Yohahnna Guimarães, que é bruxa cigana e um amor de outros tempos)

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