quarta-feira, 9 de setembro de 2026

Stellium


Espelho onde não me vejo

é tão frio e inconstante

Stellium mergulhando

trêmula nas águas


Encerro-me nas palavras

correndo por mil águas

dos peixes trocados

de um conflituoso oceano


sem casas e as estradas

abertas do mundo, dos goles

das línguas, das trocas

dos corpos em espelhos


onde o reflexo dos anseios

nossos, malditos, receios

de lampejos e passados

trovoadas escaldantes


descompassam o tempo

afastando o beijo

de horas e olhos


em torno do agora, quebram

o problema secular dos espelhos

quebradiços das águas distantes






Sunna e Maní


Queria que o abraço da madrugada

não fosse a fuga da manhã

mas correm os lobos no teu toque

atrás da lua e do sol


Cada um em uma direção

Correm os olhos dos outros

em vozes ecoando não


Conversam as cervejas do bar

mas a minha voz se cala

perdida na permissão dos tolos.


Ulfr

 


Sonhei contínuo, quando eram apenas oito dias

Ilusão e agonia, sobre o frio montanhoso

Morei no campos escuros, além das enguias

Bosques e cavernas de outro mundo, quando

Alí o via, uma vez e de novo


Sonhei profundo, pesando meu corpo viscoso

As lembranças vivas, dos braços do outro

Acordei urrando o símbolo luposo e frio

Calor que tomara como gole novo


Acordei ainda fechando os olhos

Sentindo palavras e silêncio distante

Ecoando cada fala, tumulto inconstante

Desejo secreto e fatigante a tomar o sono


Cerveja dos Corvos

 

Sou, a cerveja dos corvos

Carcaça e banquete

Sangue celebra o mês

passando por este

vendaval de corpos


Toco e o toque, lembrando

As contas amargando

Da vida, sou a ida

a que lê sortes


No azar da carcaça

lendo minhas entranhas

meus ossos que se movem


Esvai-se, o líquido pútrefe

Sonho. Sou, a cerveja dos corvos

Sonhando longe, leio

somente as sortes, cartas

pedras rúnicas de morte


segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

Fiz um baralho do meu baralho

Eu tenho suprimido a escrita, tenho suprimido meus sentidos em estranhos desenhos a lápis por longos silêncios estranhos. Conversas sozinhas com o tarot. Respostas solitárias do inconsciente. Uma figura tão pequenina disforme erguida no topo de muitos degraus onde todos a cercam de um jeito agressivo, descendo um a um a pequena figura se jopa dos cinco degraus de ouros até o abismo. Um rei de copas cansado cuja taça a muito estraçalhada no chão já não significa nada. Depois o tolo, o mesmo rei de copas, porém a espada que antes fincada na cabeça e apontada a sua própria coroa dourada, com a coroa caída ao chão já mira aflito o próprio estômago, o estômago e não a cabeça. Há que se olhar para o estômago. Tábuas estranhas dos segredos contados por estranhas cartas de baralho em um desconcerto mecânico. Onde as silhuetas de ambos ou todos senta só sobre uma pedra de costas, mirando as estrelas e um arco íris na hora das nove copas que nunca chegam. Aprendi a desenhar um tanto porque as palavras as vezes simplesmente somem quando já não se há nada a dizer ou contemplar além dessa carta. Uma rainha de copas de olhos cegos e tristes que já não vê ou tão pouco sente e uma rainha de ouros a olhá-la de longe tendo que enxergar na melancolia da outra todo o peso de seus ouros. Depois a mesma moça de olhos tristes e cinco taças derramando o mesmo líquido quebrado pelo chão. Líquido derramado até uma tábua onde ela se dispa, sem nada, abraçando o próprio corpo em uma redoma de vidro ornada de cinco pentáculos de proteção e distância.

terça-feira, 8 de janeiro de 2019

Corre[dor]es



Silhuetas e silêncios
Bloqueiam palavras
Falas mudas e poesias
Mortas com os vasos
De plantas apodrecendo

- Vazias.


Os interiores e as folhas
Caindo a esvair os meses
As luzes no escuro em feixes
As portas batendo horas pelos
corredores de intermináveis

- escolhas


Meticulosos de palavras poucas
Engolidas e mudas se findam a rir
Acabam ali como as flores mortas
suculentas lentamente até as portas
preparadas quase que sorrindo

- ao dormir.

quarta-feira, 9 de maio de 2018

Palas

Abracei Palas
Silenciando a sós
Minha vênus
Impulsiva e crua

Mato a carne nua
Nascendo da sábia solidão
de uma incansável busca

Abafando meus afagos nulos
Por trocarem minhas notas
pelo desejo de uma ilusão