quarta-feira, 9 de maio de 2018

Palas

Abracei Palas
Silenciando a sós
Minha vênus
Impulsiva e crua

Mato a carne nua
Nascendo da sábia solidão
de uma incansável busca

Abafando meus afagos nulos
Por trocarem minhas notas
pelo desejo de uma ilusão


segunda-feira, 16 de abril de 2018

Saturno

Dez\2017 (zine - contribuição livre)


O SEGREDO DAS HARPIAS

Gritam, como enguias que me acorrentam
de mal amar enquanto jogo o jogo dos tais
lobos de sal.

NOSCE TE IPSUM

Conheça-me
Devora-me
Encontra-me
Saberás então
toda a verdade
das minhas ilusões
fantasmas e prisões
onde como som
Encerro-me

HOMO HOMINI LUPUS

1. O lobo do homem que em Roma
nasceu de uma loba.
2. A comédia dos anos asnos
que creem pagar a prata
sobre corpos sem jamais
possuir delas o amor.
3. O lobo que uiva a lua
o pedaço dos céus olhos
dos amantes.

HARPIAS
ouvem o sussurro dos ventos.
Emitem gritos ferroadas. Tempos
que dançam. Vai minguando
as luas, as minhas e as tuas
mágoas.

CATEDRAL

Anjos carregam
as pedras e o frio
de uma catedral 
de culpas

Multas para 
um paraíso sem
carnaval um vendaval
de não. 

Embrião morto 
que soca a decisão 
do corpo

RELÓGIO

Esqueci o tempo
perdendo a confiança
De dizer as coisas
que ultrapassam 
a garganta.

SURTO

Escolhi silenciar
meus surtos
por medo e descrição
Decido abandonar
o plano da paixão
Pela estabilidade
esta habilidade
inexistente.

INCENDIÁRIA
Uma mulher 
uma criança
queimava casas
propriedades isoladas
das quais ela pária
era escoada como
água de chuva

Uma criança
uma mulher
queimava casas
de corações queimados
pelos quais ela era queimada
e por eles ela queimava

LIMPEZA

Como um gato afiado
componho uma canção 
com o vento, sal grosso
pó de tijolo, louro
olíbano, rosa branca.

ESCREVER
 ESQUECER

Compus uma música hoje, mais três o
u quatro sem palavras
odeio como os repertórios vão ditando a vida, sem graça
esquisito quando eles são mudos, os sentidos nas notas
o medo de tirar aquela segunda, que invadem presságios

Sabia que arrancaria de mim um pedaço fundo dos olhos
comendo viva e morta, subia no topo do mundo sem dó
lamento e cavalgo com as musas que da janela invadem
meu sono, meu medo, meu erro, me escondo do fim

queria não ser tão tola de ainda fazer poema e adoeço
cansada demais sei que não mostro, sei que sou ruim
levando uma bagagem de memórias, me fechava ali
ouvindo você sorrir entre as minhas pernas, me perco

A todo tempo um pulsar de morte, debaixo da mesa
meu pulso acelera, euforia e certeza, nada mais que ali
você entrando dentro, perdi as barreiras, os medos
quanto mais me desafia a música, mais me entorpeço

Quanto mais me diminuo, mais enlouqueço, me encontro
uma porta, um recomeço, quebro tudo, de novo pelo desejo
me engole como luxúria, eu que já não tinha mais apreço
fria sentia tudo de novo, depois da neblina, remédio do tempo

volto por cima me matando lento, te engulo a dentro, aceito
um dia apenas, amante terna, odiada e perdida, não mereço
escuto o seu silêncio, arranho acordes incompreendidos
escrevo, até que as palavras na minha cabeça se aquietem
me esqueço

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

2017 # JAN - MAI

Lua Negra [zine]

1. A LUA aflige, meus pensamentos nos dias

de nuvem e o medo do escuro veneno do não
De pisar na cauda do escorpião. Prateada
como a inocência e a sua fatalidade obscura

No silêncio com tantos peixes que a calam
os meus e os seus pensamentos que afastam
momentos do aqui e agora. Restam ali lamentos
nessa quinta casa de lágrimas e arte

2.         O lamento das
                   sereias
            Uma que anseia 
            canto choro 
            Talvez outro  
            Beijo Salgado
            de mar e areia

3. H A R P I A S
ouvem o sussurro
dos ventos emitem
gritos de agudas
harpas que como
ferroada dos tempos
dançam.

4.Vim de uma estrela distante pouco
navegante de céu vermelho. Não soube
navegar o firmamento delirante dos meus
dedos falando pelos joelhos de tanto chorar
as rezas.

5. C A O S F E R A

Demônios que moram
na esquina do canto
do meu olho e fogem
quando antecipo seus
passos de quina pintada
e fotogragia.

6. Pisces V
Continuo sincera sem
esconder o que sinto
com tantos peixes
afogados na casa V

Leões com vontade
de devorar de novo
cancelo no entanto
o impulso poema
que não será lido.

7.Cartomantes
jogando as cartas
e as vestes no fogo
molhado dos destinos
*****************
Segue crescente dentro
de mim. Sei que se tu
soubesses o peso daquilo
que eu sinto fugirias. Quem
no entanto segue correndo?
**********************
A lua que me ilumina mansa
Tão cheia e livre como um lobo
na estepe que levo comigo e os
passáros piando teu nome.
Feito um poema manso caminho
com as palavras dentro de um case
de violino com um zine guardado
ali dentro de mim.
Seu sorriso é um luar manso,
seu silêncio um machado certeiro
e te amaria por inteiro se você
não tivesse o mesmo tedioso
e velho medo.
********************


Noite Real


Mistério novo de olhos fundos de poço

Contém a noite verdadeira tranzendo
a mensagem divina. Algo é frio e silencioso
nos seus medos de madrugada algo que
não deve ser dito, mas me acalma dos
temores e perco a vontade silenciosa
constante de me detruir.

Algo que é aqui e agora, novos olhares,
sussurrando nos lábios uma sabedoria
antiga, tacitura, porém ultrapassada.Perco
a vontade constante de sair correndo daqui

Anseio doente de morte lenta, embala leve
um cuidado noturno de medo. Calor silencioso
disfarçado de frieza. Fala pouco escuta muito
deixa os sussurros do destino.

O L (h) Á R I E S

Queria
que olhares
Falassem
mas sei
que só
sei me
fechar
ou apenas
reencontrar
seus olhos.


Roda Cigana

Que os ventos guiem nossos passos
Que a estrada se abra e ouro caia
Ali pelos cases e malas abrindo fortuna
pela passagem que os ciganos iluminem
a viagem como a dança das rodas
Fazendo barulho das carroças trotando
a caminhada nossa.

Lua em Escorpião

Não sou trapo de solidão
Não sou afago da escuridão
Nem saco de barro e sexo
Para esse complexo
de lua em escorpião



O TEMPO



Se o fim não chegasse dentro
Sem aviso prévio eu faria ainda
uma canção bonita que escondi
do meu lado esquerdo

Se o fim não cantasse talvez falariam
das cicatrizes estrias ou lembranças
antigas nas costas do medo

Se o início existisse eu saberia
onde termina e até onde é começo
mafuma fumaça algodão e sem pressa
esqueço

Do violão e da seda no outro bolso
daquele casaco que eu nunca mais
consegui olhar ou vestir

Apresso a partida por medo e bravura
Misturado na angústia de perder sempre
o tempo

Navio Cargueiro

Havia um barco
Aterrorizado
Navio Azul
Rodeado
De luzes vermelhas

Grita a mão
Retira o solo
Revista a mala
Canhão de bala
Navio Cargueiro

Carrega o rio
Pisoteado de
Vermelho

Ondas
Lavam
Lágrima
Desespero
Tempestade
Navio cargueiro

Carrega o rio
Pisoteado de
Vermelho

Mordaça de Ariadne

Esqueci a mordaça
Invisível e apertada
Desenlaço e minto

Pele sufocada e só
Dentro de um labirinto

Impreciso de sugestões
Corretores de vícios
Aplicam ideias sem
Existirem explicações
Paranoias e compreensões
Corredores de aplicativos

Pele sufocada e só
Dentro de um labirinto

Avisos
Recordam
Aquilo que
eu
Recordava

Pele sufocada e só
Dentro de um labirinto