terça-feira, 8 de setembro de 2015

Balada Triste do Abuso

Jogando cartas pelo futuro
Encaro o latente furo
Cravado

Li o destino caro         
Perdida em murro
Impaciente fardo

Se hoje morrer seguro
O olhar que era puro
Arrancado

Olhos sangrados
Sorrisos costurados
Pós-estupro

A mão do berço
Rompeu o terço
Na cabeceira

Afundo na ribanceira
Culpou a cria
Por ser devorada
Pela enguia

O homem que toma
Não tem culpa
Culpa o corpo da moça

A moça esmurrada
Rompida e dopada
Só resta a multa

O preço é a mente
Levemente tomada
Ela é considerada impura

A culpa era sua
Diz a manjedoura
A sarjeta é sua casa

Jogada no chão
A gorjeta é esmola
Sem pão ou tostão
O olho não chora


O agressor é solto
Pois boletim de ocorrência
Vale mais que a insolência
Da mente tomada

A moça dopada é jogada fora
Os pais vão embora
Cinco anos depois
Ela chora

Sozinha no mundo
Sem mente e sem rumo
Sem escapatória

Ela e eu somos uma
Sem força nenhuma
Indigentes na história


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